domingo, outubro 02, 2005
Condenados os malditos

O filme Amadeus poderia passar despercebido não fosse o fato de que ele aborda, magistralmente, a genialidade e a mediocridade do ser humano. A genialidade reside na música de Wolfgang Amadeus Mozart e a mediocridade pousa nos sentimentos de inveja e mesquinharia do também compositor, Antonio Salieri. Esses dois personagens que lutam entre si durante o filme, mostrando claramente a visão maniqueísta – luta entre o bem e o mal, são o fundamento, até mesmo o alicerce sobre o qual apóia-se a história do filme.
O filme começa com a cena desesperada de Salieri, já velho, tentando suicidar-se e pedindo perdão por ter matado Mozart. O músico é internado em um “asilo psiquiátrico” e recebe a visita de um padre que pede para que ele se confesse. Esse é o ponto de partida do filme, Salieri começa a narrar toda sua história, desde sua infância castrada pelo pai (que não gostava de música) até o seu encontro com o talentoso Mozart.
È importante lembrar que Salieri em sua época era deveras importante, sendo compositor oficial da corte e até professor de Beethoven (isso o filme não mostra). Salieri era uma figura de prestígio em Viena, também conhecida como a cidade dos músicos, e com a chegada do menino prodígio de Salzburgo, Mozart, toda essa reputação é ameaçada.
Salieri considera a música de Mozart divina e ao ouvi-la, convence-se de que Deus lhe negou o dom e o passou para aquele jovem que ele o considerava vulgar. A partir disso, começa a tramar a morte de Mozart. Salieri é um paradoxo, carrega em si os mais variados sentimentos, a devoção e a inveja que sente pelo Mozart caminham juntas.
O ponto alto do filme é a cena quando Mozart, já doente, com a ajuda de Salieri termina a Missa de Réquiem. O jovem dita as notas para Salieri e o mesmo não consegue acompanhá-las, e é quando o “medíocre” fica maravilhado com o dom divino do outro. Enfim, para entender essa obra-prima de Milos Forman só assistindo.
Adendo: O filme foi baseado na peça de Peter Shaffer, dirigido por Milos Forman em 1984. Ganhou 8 Oscars, nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (F. Murray Abraham), Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem, Melhor Som e Melhor Roteiro Adaptado. Recebeu ainda outras 3 indicações, nas seguintes categorias: Melhor Ator (Tom Hulce), Melhor Fotografia e Melhor Edição.
*Foto retirada do AdoroCinema