domingo, agosto 14, 2005
História, política e drama...

O filme Olga é baseado no livro de Fernando Morais e dirigido por Jayme Monjardim, que até então só havia feito novelas e minisséries. Pode-se perceber o “toque novelístico” na direção de cenas do filme que, muitas vezes, assemelha-se a uma minissérie. Falando ainda em filmagem, o longa-metragem apresenta uma cor meio azulada, cinzenta, que transpassa um sentimento gélido e triste. Todas as cenas foram feitas no Brasil, assim como o financiamento: também brasileiro.
A história é sobre a judia alemã comunista, Olga Benário, que sai de Berlim com a missão de levar Luis Carlos Prestes em segurança até o Brasil. No entanto, a viagem é longa e acabam se apaixonando. Logicamente o peso disso no filme é muito maior do que no livro, que dá mais ênfase à questão política do que ao romance de Olga e Prestes. No Brasil encontram-se com outros enviados do Partido Comunista e planejam uma Revolução, mas devido a uma traição são descobertos e presos. A partir daí são feitas uma série de torturas, bem típicas da ditadura de Getúlio. Os fatos conseguintes não relatarei aqui para não estragar a emoção do filme (e porque contar o final do filme pra quem não viu é muito chato, né?)
A trilha sonora, feita por Marcus Viana, é quase totalmente instrumental e bem melodramática ao estilo dos últimos capítulos da novela das 8 da Globo, mas que faz toda diferença, como toda trilha sonora que se preze. Há cenas muito dramáticas também e que apesar de ter visto muitas críticas dizendo que foi muito exagero, acredito que Monjardim só quis tornar mais real algo tão longe de nossa realidade, quis que o telespectador se sentisse como os personagens como a dor de uma mãe perdendo a filha que sabia que jamais a veria ou do momento que precede a morte.
Esses elementos, entretanto, não seriam nada se não fosse a interpretação espetacular de Camila Morgado. Sem ela, nem trilha nem roteiro ou direção salvariam o filme. Não dá para imaginar o filme com outra atriz, pois ela incorporou de tal forma a personagem que conseguia ver as descrições de Fernando Morais perfeitamente nela.
Enfim, mesmo Olga sendo totalmente comercial e com ar de novela, é um filme muito bom e em partes muito fiel ao livro, deixando sim a desejar em certas partes, como na ênfase demasiada no romance entre Prestes e Olga e principalmente na parte política que foi quase suprimida. Mesmo assim, vale a pena assistir esse filme que, apesar de brasileiro, tem muita qualidade técnica.
Mas que fique bem claro que não há nada melhor do que ver o filme após ler a obra prima de Fernando Morais, que traz diversos documentos e detalhes que o filme, nem de longe, conseguiu retratar.
Fotos do site Paraná Online
Comments:
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Tb.. depois de todo aquele trabalho vc tem autoridade pra falar sobre o filme..
Éh bem isso mesmo, muito drama e um pouco de história... mas certamente umabela produção...
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Éh bem isso mesmo, muito drama e um pouco de história... mas certamente umabela produção...
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