domingo, novembro 20, 2005
"Be cool, man!"

“Be Cool, O Outro Nome do Jogo” (Be Cool) pode até não ser a melhor comédia lançada neste ano, mas é divertida o suficiente para agradar os simpatizantes do gênero. Sem clichês ou qualquer modismo, a produção dirigida por F. Gary Gray (Uma Saída de Mestre) possui muitos dos elementos-chave capazes de arrancar risos fáceis e sutis do público espectador - como personagens caricatos, cenários diferentes e bastante diversificados e um enredo impecável.
O roteiro – muito bem elaborado, por sinal – é uma adaptação do livro “Nada a Perder”, de Elmore Leonard; e o enredo, por sua vez, traz em sua constituição toda uma variedade de personagens distintos, com modos bastante diversificados, o que contribui para o aspecto comediante do filme.
O protagonista da história, Chili Palmer, interpretado por John Travolta (Embalos de Sábado à Noite), é um famoso diretor e produtor de cinema. Cansado da vida burocrática que envolve a produção de filmes, Palmer decide abrir caminho para o ramo fonográfico. Quem desperta essa idéia no famoso diretor é uma aspirante à cantora chamada Linda Moon (Christina Milian), que chama a atenção de Palmer pelo seu talento nato com a música.
Crente que encontrou um grande talento ainda não descoberto, Palmer vai atrás de uma antiga amiga, Edie Athens – interpretada pela maravilhosa Uma Thurman (Kill Bill) – que gerencia uma gravadora de selo independente. Após ouvir e se predispor a investir na talentosa jovem, Edie se une a Palmer para elaborar métodos e meios de alavancar a carreira de Linda. E, para tanto, terão de enfrentar muitos dos interesses capitalistas de outros grupos – que são, no mínimo, hilários em suas caracterizações – dentro e fora do ramo fonográfico, como a máfia do rap, dos assassinos russos e da gravadora concorrente.
Esta é a segunda vez em que John Travolta e Uma Thurman contracenam juntos em um filme. A primeira vez foi em 1993, em “Pulp Fiction – Tempo de Violência”, do diretor mais do que aplaudido Quentin Tarantino. Ainda no elenco, há outros grandes nomes que participam da produção, como Vince Vaughn, Cedric The Entertainer, Harvey Keitel, Danny DeVito e James Woods.

“Be Cool, O Outro Nome do Jogo” é também o primeiro trabalho no cinema de André 3000, da banda Outkast. Ele faz o papel de um gangster da máfia do rap, liderada por Sin LaSalle (Cedric The Entertainer). Há também outras ótimas participações especiais no filme, como o das bandas The Black Eyed Peas e Aerosmith. Até mesmo Elis Regina ganha espaço da comédia, logo no começo do filme, em que uma de suas músicas toca como trilha de uma cena. O que é, no mínimo, interessante.
O único ponto negativo em “Be Cool, O Outro Nome do Jogo” é atuação de Christina Milian. É nítida a intenção de que o filme tenta promovê-la como cantora, deixando que ela solte a voz em alguns momentos. Sua atuação não é da melhores e se aproxima em muito da que foi feita por Britney Spears no tedioso “Crosswords, Amigas Para Sempre”.
Uma das superações desse filme é que “Be Cool” soube ser melhor que o filme que o antecedeu, chamado “O Nome do Jogo”, em que Chili Palmer deixa de ser um gangster e agiota para se tornar um diretor de cinema. Na produção anterior, o personagem foi interpretado, do mesmo modo, por John Travolta e arrancou elogios da crítica. O diretor, no entanto, não era o mesmo. “O Nome do Jogo” leva a assinatura Barry Sonnenfeld, que recusou a proposta de dirigir a seqüência aqui analisada.
*Fotos retiradas do site AdoroCinema.