domingo, novembro 13, 2005
"Todo império tem seu momento de queda"

O cineasta canadense Denys Arcand lançou em 1986 o interessante Declínio do Império Americano, que contém personagens extremamente inteligentes e diferentes uns dos outros. Nesse filme é abordada de forma ácida e fascinante assuntos diversos, principalmente os relacionados ao sexo. Pode-se dizer que O Declínio é um tanto quanto profético em alguns momentos, mas não irei me estender sobre isso. Pois bem, 17 anos depois, esses mesmos personagens retornam com o não menos (e até mais) interessante, Invasões Bárbaras. Arcand acerta na fórmula mais uma vez e nos presenteia com esse filme riquíssimo em conteúdo e também divertido.
O filme pode ser visto sob dois focos: 1- O carismático professor de História, Rémy é diagnosticado com câncer e seu filho bem sucedido Sébastien faz de tudo para manter o pai confortável e lhe proporcionar uma morte no mínimo digna. Tudo seria muito bonito, caso Rémy não desprezasse a profissão “capitalista” de seu filho e negasse toda sua “benevolência”. Ou seja, o tal conflito de gerações é bastante discutido durante o filme. 2- Sabendo que Rémy tem poucos dias de vida, Sébastien resolve reunir os velhos amigos de seu pai e nesse encontro
vários assuntos são discutidos de forma enérgica. Críticas ao governo Bush são feitas de forma clara, quando os personagens mostram as conseqüências sociais, políticas e econômicas que o atentado de 11 de Setembro causou, o falho sistema público de saúde do Canadá (principalmente em Montreal—onde o filme é passado), a corrupção política e, entre outras mazelas humanas. Esses dois focos são de extrema de importância, mas ao segundo deve ser dada mais atenção.Em nenhum momento, o filme é enfadonho. Muito pelo contrário, quanto mais os personagens mostram suas idéias com diálogos inteligentes, reflexões (nossas, no caso) vão surgindo. O diretor soube usar todos ingredientes de um bom filme de forma exata: emoção, diversão, indignação. Em um balanço geral feito pelos velhos amigos, eles concluem que de todos os “ismos” (marxismo, existencialismo e assim por diante) o que restou foi apenas o cretinismo.
Invasões foi feito também para mostrar que um dia o império pode decair, assim como aconteceu a nação norte-americana no 11 de Setembro. Aliás, o filme é mais do que isso, pois é aberto um leque de opções entre os diálogos, ações, lembranças desses personagens tão profundos. Muitos assuntos que podem ser tratados com profundidade seja por amigos universitários, professores universitários, aposentados e até pessoas à beira da morte. Um filme que comove, diverte e principalmente, FAZ PENSAR.
*Foto retirada do AdoroCinema