domingo, dezembro 25, 2005

 

Ação e conteúdo...



Clonagem. Este é o assunto do filme de Michael Bay, “A Ilha”. Apesar de Bay ter em seu currículo filmes de ação como “Armageddon”, “Bad Boys”, “Bad Boys 2” e “The Rock”, “A Ilha” consegue agradar não somente o público alucinado por super-perseguições, mas quem busca um roteiro um pouco mais interessante do que o de “Bad Boys”.

O roteiro conta que após uma suposta contaminação geral da Terra apenas alguns sobreviveram e vivem isolados numa espécie de cidade-galpão sob regras duríssimas. A primeira parte do filme lembra muito a história do livro “1984” de Georde Orwel (que também já virou filme) só que no futuro. De igual forma, as pessoas viviam presas neste lugar, vestiam roupas iguais (uniformes) e eram totalmente controladas, desde o nível de sódio presente na urina e a dieta alimentar até as relações pessoais (homens e mulheres não podiam se aproximar muito e muito menos ter algum relacionamento além da amizade). A única esperança que mantinha essas pessoas com vontade de viver é “A Ilha”. Alguns sorteios eram feitos e os vencedores podiam ir para a tal ilha, descrita como um paraíso, o único lugar que ainda havia restado sem a contaminação.

As coisas começam a mudar quando Lincoln Six-Echo (EWAN MCGREGOR) passa a se questionar sobre certas coisas que eram impostas até que descobre que há vida fora do mundo em que eles vivem, que eles não são os únicos e que a Ilha na verdade não existe. A partir daí, entra o “toque Bay”. Junto com sua amiga Jordan Two Delta (Scarlett Johansson), Lincon foge e busca desvendar a verdade sobre suas vidas e descobrem que na verdade eles e todas as pessoas que viviam com eles são clones dos quais o único objetivo é servir de “banco de órgãos” para seus “donos”.

A discussão sobre a ética em se clonar seres humanos para gerar outros seres tratados como produtos, mas que podem um dia desenvolver raciocínio e personalidade, acontece no filme, mas não é muito aprofundada, o que de certa forma é bom, pois permite que o telespectador tenha no que pensar depois do filme e não apenas aceite passivamente a idéia apresentada no roteiro. Quanto aos efeitos especiais e as cenas de ação, se tratando de Bay, não preciso nem dizer que é sucesso garantido. As atuações também não deixam a desejar. Levando-se em conta alguém que alugou o filme sem esperar muita coisa, pode-se dizer que o resultado surpreendeu, afinal uma mistura de ação com bom roteiro é uma coisa difícil de se conseguir, mas que Bay conseguiu tirar de letra.

*Foto do site Metcinema

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