domingo, janeiro 08, 2006

 
E o favorito ao Oscar é a Alemanha (não o Brasil, pra variar).

Para o Oscar 2006 já há um favorito para a estatueta de melhor filme estrangeiro: “A Queda! As Últimas Horas de Hitler” (Der Untergang). A produção é alemã e, como sugere o título, revela como foram os últimos momentos de Adolf Hitler, segundo depoimentos de sua ex-secretária Traudl Junge, que morreu no ano de 2002.


O favoritismo do filme alemão ao Oscar é perfeitamente explicável – o que figura como desolação aos entusiastas brasileiros que acreditam na vitória de “2 Filhos de Francisco”: produções de cunho histórico, principalmente de grandes conflitos armados parecem surtir uma certa admiração à comissão julgadora do evento mais tradicional do cinema. O fato de a produção não trazer Hitler em pele de cordeiro – como seria passível por parte dos alemães mais orgulhosos – é outro grande ponto que com certeza entusiasmou a comissão do Oscar. Esse acontecimento revela, nas entrelinhas de cada cena, o julgamento de que a Alemanha foi a responsável por boa parte de tudo o que aconteceu no período entre 1939 e 1945, e melhor: admitido por eles próprios.


Para espanto daqueles que pouco conhecem o ex-líder nazista alemão, o filme apresenta Hitler como um homem que já tinha perdido todo o senso de realidade no fim da Segunda Guerra Mundial. O conflito já estava perdido para a Alemanha e, ainda assim, Hitler bolava planos de reconquista, a fim de virar o jogo já dominado pelo grupo dos Aliados. Os planos eram em boa parte reprovados pelos seus assessores, que já o julgavam senil para o cargo, subestimando sua liderança. Tal fato gerou conflitos internos dentro do próprio exército da SS e do bunker do Führer (o Q.G. de Hitler).


Mesmo sendo considerado incapacitado para a liderança da Alemanha por alguns de seus mais fiéis aliados, Hitler ainda tinha muito prestígio entre o povo alemão no final da guerra. São variadas as cenas em que se isso se comprova na produção, nas quais jovens e velhos decidem lutar e morrer em nome do líder.


Há cenas, no entanto, que geram grande desconforto ao público – e não me refiro ao suicido de Hitler e Eva Braun: O líder nazista tinha tanta influência entre o seu povo que, após se suicidar e o Exército Vermelho (da Rússia) tomar conta de Berlin, inúmeras pessoas começam a praticar o suicídio como forma de não serem humilhados e nem mortos pelas tropas aliadas. É o famoso orgulho alemão que imperava nesses momentos. Muitos seguiam o exemplo de Hitler e o cume disso se encontra no trecho do filme em que Magda Goebbels (Corinna Harfouch), mulher do assessor Goebbels (de grande confiança de Hitler), decide matar os próprios filhos e, em seguida, pratica suicídio com o marido.


A atuação mais marcante, por sua vez, é do ator Bruno Ganz, que interpreta Adolf Hitler de um modo esplêndido. Ganz soube dar ao seu personagem toda a essência de um líder já em decadência, demonstrando facetas dóceis e agressivas do homem que um dia mobilizou todo a Alemanha e ainda conquistou boa parte da Europa. Hitler queria transformar e reconstruir Berlin como um centro cultural, onde a intelectualidade emanaria para outras cidades do país, se diferenciando das grandes capitais do mundo que só possuíam arranha-céus, hotéis e turistas, segundo suas palavras.


O papel da secretária Traudl Junge, de quem partiram os depoimentos que tornou possível a produção de “A Queda!”, é, por sua vez, interpretada por Alexandra Maria Lara. É notável que ela tem uma presença marcante no decorrer de todo o filme, mas não ultrapassa, em momento algum, à relativa a Hitler, que é o grande centro das atenções dos espectadores.


Quando falamos acerca de fotografia, cenário, figurino e iluminação a produção é, sem dúvida alguma, inquestionável. Os detalhes da guerra, do bünker de Hitler, assim como dos próprios personagens é impecável. O cuidado foi demasiado, o que gerou excelentes cenas que, por merecimento, geraram um ótimo material que é favorito ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Fotos retiradas do site AdoroCinema

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